Olhares Sobre as Missões é um projeto cultural dedicado a valorizar a memória, a identidade e a paisagem simbólica dos Sete Povos das Missões por meio de um concurso fotográfico de abrangência internacional. A proposta convida fotógrafos profissionais e amadores a revelarem, através de seus olhares, a profundidade histórica, espiritual, arquitetônica e cultural dessa região emblemática, onde a herança jesuítico-guarani segue viva na monumentalidade das ruínas, nas tradições locais e no cotidiano de sua gente.
A iniciativa aposta na fotografia como linguagem acessível e potente para conectar passado e presente, estimular o pertencimento e reforçar o papel das Missões como um dos maiores patrimônios históricos e culturais do Brasil e da América Latina. Ao reunir uma curadoria composta por artistas profundamente ligados ao território — entre eles fotógrafos, pesquisadores e um cineasta indígena guarani — o projeto se compromete com uma abordagem sensível, diversa e representativa, capaz de construir uma memória visual contemporânea que respeita ancestralidades, dialoga com a comunidade e amplia o reconhecimento desse legado único.
Olhares Sobre as Missões nasce para transformar sensações em imagem, e imagem em história — compartilhada, plural e permanente.
A seleção contará com um Conselho Curatorial formado por três fotógrafos que avaliará e fará a premiação.

Residente na Aldeia Guarani TekoaKoenju, em São Miguel das Missões (RS), é cineasta indígena mbya guarani, integrante e fundador (2008) do Coletivo Mbya Guarani de Cinema, após participar da primeira oficina do Vídeo nas Aldeias em 2007. Diretor de documentários como Duas Aldeias, Uma Caminhada, As Bicicletas de Nhanderu, Desterro Guarani, Tava – A Casa de Pedra, Mbya Mirim, No Caminho com Mario e Nós e a Cidade, construiu uma trajetória reconhecida no Brasil e no exterior. Em 2013, teve trabalhos exibidos em Nova York na celebração dos 25 anos do Vídeo nas Aldeias, promovida pelo NMAI e instituições parceiras, e em 2015 participou de um intercâmbio com os povos Innu, no Canadá. Premiado em festivais como o FICA, CachoeiraDoc e forumdoc.bh, reúne distinções por obras que dialogam com território, ancestralidade e resistência, consolidando-se como uma das vozes mais relevantes do audiovisual indígena contemporâneo.

59 anos, natural de Santo Ângelo (RS), é fotógrafo com sólida trajetória documental na América do Sul, especialmente voltada à formação étnica e às transformações sociais. Trabalhou por 25 anos no jornal Zero Hora, em Porto Alegre, e tem como referências o neorrealismo italiano, com influências de De Sica e Visconti. Participou da 15ª Coleção Pirelli/MASP (2006) e conquistou alguns dos mais importantes prêmios do país, como o Prêmio Conrado Wessel (2010) — do qual também foi finalista em 2009 e 2011 — além de distinções no Esso de Jornalismo, Leica-Fotografe Melhor, ARI-RS, POY Latam, Bienal Brasileira de Arte Fotográfica em P&B e no Prêmio José Lutzenberger de Jornalismo Ambiental. Com mostras individuais e coletivas no Brasil, América Latina, Europa e Ásia, expôs em instituições como Goethe-Institut, FotoRio, Encuentros Abiertos, Museu da Bahia Blanca, Centro Cultural Correios, além de exibições em cidades como Bagdá, Padova, Buenos Aires, Varsóvia, Roma, Avintes e Açores. Autor do livro Olhos do Pampa (2014) e coautor de Yo Soy Fidel (2017) e Tás Co' Olho!? (2020), consolidou-se como um dos nomes mais expressivos da fotografia documental contemporânea no Brasil.

Natural de Ajuricaba (RS), 71 anos, construiu uma trajetória marcante na fotografia após 35 anos de atuação como professor de artes práticas e desenho artístico. Iniciou-se profissionalmente na área aos 37 anos, desenvolvendo trabalhos em diversos segmentos, como casamentos, 15 anos, estúdio, formaturas, fotografia industrial, catálogos de moda e direção de projetos para o cinema. Com profundo domínio de luz e sombra adquirido no desenho artístico, tornou-se um fotógrafo de olhar refinado, atuando também como freelancer para o jornal Zero Hora, em Porto Alegre. Participou de exposições sobre o Estatuário Missioneiro ao lado do fotógrafo Tadeu Vilane, e possui obras expostas na cidade de Irkutsk, na Rússia, por iniciativa do padre Inocêncio. Ao longo da carreira, ministrou cursos e formou inúmeros discípulos que carregam parte de seu legado e dedicação à arte fotográfica.